
Anoiteceu na cidade maravilhosa, as lâmpadas acendem como vaga-lumes iluminando gentilmente a clareira da floresta, eu me encontro sentado na areia, a minha frente um mar escuro iluminado apenas pelas luzes das estrelas, fecho os olhos e me concentro, tomando minha consciência, o som das ondas quebrando vai me trazendo lembranças de amores do passado, que fiz questão de esquecer, que fiz força para arrancar do meu peito.
Inspiração e um pedido de socorro.
Queria tanto o Sol para que ele aquecesse meu coração remendado, queria tanto que enxergassem além da carne...
Queria ser como pássaros, voar livre pelo céu, adentrar nas nuvens e parar quando quisesse, poder comandar-me, seguir o fluxo natural da vida, fixar-me em um ninho confortável e viver ali para sempre..
Queria ser com lírios, que são amados não só por sua extrema beleza mais também por seu significado no mundo, ter raízes firmes no solo, conseguir se curvar com a nem sempre suave brisa sem se machucar...
Uma lágrima faz um caminho em ziguezague desenhando um percurso de dor e solidão...
Agora já venta forte na praia e o céu se enegrece com nuvens torrenciais de chuva, por alguns instantes me vejo protagonista de um filme existencial, vou deixando uma estranha força carregar com ela tudo preso no meu peito...
Já não vejo as nuvens carregadas de chuva como minha inimiga, cada gota em meu rosto é uma enxaguada em minha alma, um nó que vai sendo desfeito, sem perceber aparece no meu rosto um sorriso ainda tímido. Decidido me entregar a ele e corro para a água do mar, ao meu encontro uma onda que faço questão que me acerte... Mais risos!
Percebi que vale muito mais a pena ser você mesmo, e assumir seus defeitos para si mesmo, encarar seus medos do que tentar ser uma outra pessoa. Hoje notei que a Lua não ilumina a minha tristeza mais que faz aparecer para mim às estrelas da satisfação...

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